sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

SINNERS E A BLAXPLOITATION








Blaaaaaack is beautiful!! Cantava Elis, com sua voz poderosa: concordo!

Mais ainda depois de assistir a SEENERS (2025), que por analogia me transportou para os vibrantes anos 70, onde aconteceu a BLAXPLOITATION.
Basicamente, foi uma “explosão negra” no cinema dessa década, movimento cinematográfico que surgiu nos EUA, com as seguintes características: trilhas sonoras marcantes (funk e soul), com músicos como James Brown e Isaac Hayes; protagonismo negro em papéis de heróis, detetives, vilões e mulheres poderosas, em lugar de coadjuvantes estereotipados; histórias de resistência e vingança.
Alguns títulos: SHAFT (71) – a música tema é um arraso - SUPER FLY (72), FOXY BROWN (74) – estrelando PAM GRIER, ícone do gênero, que consolidou a imagem de mulheres negras fortes e protagonistas – falo um pouco mais dela logo adiante, sou super fã – BLÁCULA, O VAMPIRO NEGRO (72), CLEÓPATRA JONES (75).
Então... SEENERS tem 99% do seu elenco formado por negros e alguns branquelos espalhados pela história.
BLUES é uma música que chega a ser um personagem, tal a sua importância na trama.
A dureza de viver em um lugar inóspito e com poucas escolhas, sendo a maioria delas, ilegais.
Dois sujeitos tramposos, irmãos que fazem de tudo para sobreviver, até comprarem um galpão e ali criarem um Clube de Blues. Lá dentro, a música incendeia todos, chamas ardentes como as do Inferno: e que gente linda pra dançar, tocar e cantar!
Até que vem a reviravolta...
Conto mais?
Nem sabia que iria virar uma noite alucinante: 3 indivíduos batem à porta e pedem para serem convidados a entrar. Quem aqui já viu filmes de terror sabe o motivo desse pedido...
Daqui pra frente é só drama e emoção, angústia e medo, paixão e dor: euzinha, que sou graduada com louvor devido ao extenso consumo de histórias com tal teor, fiquei emocionada, torcendo para que o dia amanhecesse logo!
As imagens são chocantes, mas belas, sejam embora trágicas.
Não vou contar o final da história.
Mas AVISO; espere o desfile dos créditos acabar na tela, pois, de repente, surge o FINAL EXTRA; um final que eleva A MÚSICA BLACK/O BLUES ao patamar que ela merece: FIRST PLACE, com louvor e estrelinha!

NOTA: sobre PAM GRIER: Depois do grande sucesso sendo protagonista de filmes, expondo sua beleza e talento, quando a Blaxploitation perdeu o pique no final da década de 70, ela caiu no ostracismo. Foi Tarantino quem a trouxe de volta em 1997, com o filme JACKIE BROWN, como uma comissária de bordo que trafica dinheiro a mando de um criminoso. Ela faz um acordo com policiais para entregá-lo e aí mostra todo o seu talento nessa tarefa: foi um retorno triunfante!

NOTA 2: procurem a música BLACK IS BEAUTIFUL(71) na voz de ELIS no Spotfy, vale a pena! “Black is beautiful” é um slogan que fez parte da cultura da década de 60, mas foram as imagens do fotógrafo BRATHWAITE que popularizaram esse slogan.

Blaaaaaack é lindo! Cantava Elis, com sua voz poderosa: concordo!


quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Philip K. Dick: os livros que viraram filmes



Sou apaixonado pelos escritos de Philip K. Dick, pra mim, o melhor autor de FC/distopias. Assisti novamente uma série baseada em um dos livros que ele publicou - o Homem do Castelo Alto - e isso despertou o desejo de reler os livros dele que tenho aqui em casa. Não são muitos, mas todos excelentes e estão na imagem, pela ordem em que foram escritos, o primeiro em 1961 e o último em 1970, mas houve uma edição em 1974, com pequenas revisões e é essa que possuo.

10 filmes inspirados na obra dele:

1. Blade Runner
2. O Vingador do Futuro (Total Recall)
3. Impostor
4. Relatório da Minoria
5. Assassinos Cibernéticos (Screamers)
6. O Homem Duplo
7. O Pagamento
8. O Vidente
9. Os Agentes do Destino
10. Rádio Livre Albemuth

segunda-feira, 29 de julho de 2024

O SABOR DA VIDA/LA PASSION DE DODIN BOUFFANT

                           

                                               Vi muitos comentários negativos sobre esse filme nas redes, achando-o lento e maçante, com espectadores dormindo no cinema ou abandonando a sala.

Deve ter sido difícil mesmo para quem não sabe decifrar metáforas, ter apreciado a história de amor entre o Chef e sua Cozinheira, narrada sem pressa, apegando-se ao afeto que reúne todos os personagens, sem efeitos especiais nem bizarros. com uma fotografia belíssima num cenário interiorano - Cinema-Arte!

E o que dizer da relação do Chef e da Cozinheira sem cair em alguma banalidade sobre o amor? Que integração perfeita. que amor perfeito, tal como a flor... Talvez as críticas negativas tenham vindo de quem deixou de lado a contemplação para viver apenas momentos explosivos, o que impede de captar sentimentos mais sutis.

E quando ela faz aquela pergunta no final do filme, num flashback, sobre o que ele mais amava nela? É a coroação da história, a síntese, Ah, queria um amor assim, de quartos separados e almas conjugadas!

Curiosidade: Juliette Binoche e Benoit Magimel já foram casados, talvez seja o motivo de haver uma interação envolvente entre eles, uma cumplicidade vinda de quem se conhece a fundo.
 

THE ROMANNOFS

THE  ROMANOFFS

O criador de MAD MEN (MATTHEW WEINER, que escreveu, foi autor e foi um dos produtores), é uma série ambientada pelo mundo, apresentando 8 histórias independentes sobre pessoas que acreditam ser descendentes da família russa assassinada pelos bolqueviques. Já foi provado que não deixou nenhum Romanoff de “sangue azul” vivo, mas ainda hoje há quem usa o nome famoso, acreditando na linhagem e usando títulos de nobreza falsos.

No elenco, nomes consagrados e outros nem tão conhecidos pelo público, embora todos sejam talentosos, o que é um dos pontos altos da série. Os episódios são emocionantes, interessantes e criativos, mas o que mais me surpreendeu foi o último, o oitavo, não esperava o final que foi brilhante! Certas histórias me lembraram das contadas de Woody Allen em seus filmes.

A produção Amazon, obviamente, pode ser assistida no Prime. Li por aí que “a segunda temporada foi cancelada”, certamente nela viriam novas histórias com novos personagens. Mas essa temporada inicial, que poderia ser chamada de MINISSÉRIE, cumpre totalmente o que a obra promete.









segunda-feira, 21 de agosto de 2023

BARBIE, o Filme (parte 2 sobre o Cine Victoria)



Na Parte 1, comentei sobre o Cine Vitória, que foi onde assistir ao filme, já que está sendo reinaugurado e é interessante que o público de Porto Alegre conheça essa novidade e elegância do espaço.

Já tinha lido muita coisa sobre Barbie, mas com várias opiniões, divergentes.
Em primeiro lugar: não é um filme para o público infantil, apesar do colorido e dos brinquedos que levam a pensar que é uma história para crianças. Durante uma sessão, vi duas mãescom crianças saindo da sala no meio do filme. Certamente os pequenos devem estar achando o filme chato por não entender os diálogos.
A trama é conscientizadora do início ao fim, não dá descanso por um minuto, é uma reflexão em cima da outra. Já nas cenas iniciais, tive um insight: porque eu não gosto de bonecas quando criança? Porque eles eram bebês e suas "donas" tinham que cuidar delas como mães e donas-de-casa, o que envolvia "brincar de casinha" e panelinhas. Desde cedo, dizia que não queria ter filhos e casar. Queria ser escritora e astronoma. Quando a Barbie surgiu, os bebês e panelinhas foram chutados! Barbie mostrou às meninas que as mulheres poderiam ser o que queriam ser, muito além da vida doméstica.
O visual dela veio de um desenho alemão onde um personagem tinha curvas, seios, costas, sensualidade. Foi a primeira boneca mulher, adulta. E foi e ainda é criticado por ser frívola. Até que ela sai da Barbielândia e entra no mundo real, descobre a dor, as lágrimas, a celulite, os "pés chatos". Ken também é atingido pelo mundo real e quer ter uma identidade, mas que é apenas o par da Barbie. Inicia-se uma revolução que envolve também uma garota e sua mãe (a cena em que essa mãe coloca pra fora o seu despertar, pra mim, é uma das melhores falas do filme). É uma trama que os adolescentes podem se identificar.
Pra não tirar as surpresas da história, fico por aqui. Vá preparado(o) para refletir, mas também divertir-se, as questões são tratadas de forma leve, há música, dança, humor e muito cor.
Claro que a Mattel espera vender muitas Barbies com ajuda desse filme, no fundo, tudo resume-se à busca do lucro. E, atualmente, quem deseja e compra mesmo são os adultos.
                           



                                        
                                             A criadora da Barbie, RUTH HANDLER (1959)


                                           




Cine Victoria reinaugurado em PoA/RS

 


Ansiosa
pra assistir ao filme da Barbie e do Ken, mas aguardava a reabertura do CINE VICTORIA, um "cinema de rua" no Centro Histórico de Porto Alegre. E, principalmente, com cópia legendada. Finalmente, fui nessa quinta-feira. O local é o mesmo onde existe o Cinema Victoria original, majestoso, com mezanino e oferecendo sempre os lançamentos mundiais que reuniram melhorado para assisti-los. No Centro da cidade, só rivalizava com o Cinema Cacique, também de aparência grandiosa.

Há alguns anos foi construída uma sala de forma bem menor, dentro de uma galeria, na Avenida Borges de Medeiros esquina com a Andrade Neves. Acabou fechando suas portas e agora o espaço foi reformado e reinaugurado pela Cult Cinemas trazendo o filme Barbie para a estreia. Espero que o prestígio público para que ele mantenha-se aberto e funcione a todo vapor. Não gosto de cinemas de compras e além disso este fica perto da minha casa, finge ser freguesa.
Quero comentar o filme, mas o texto sobre a Victoria alongou-se, então escreverei a parte 2.
Pra saber mais: @cultvictoria (no Instagram).