Mostrando postagens com marcador Cult. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cult. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 21 de agosto de 2023



Acabei de assinar o DISNEY+ (já assinava o STAR+ e valeu a pena ter o COMBO pelo pequeno valor adicionado). Pra quem acha que esse streaming é pra criança, tá engando. Ou eu que sou uma "criança grande", pois amei...

Aí reencontro o primeiro filme assustador que vi na infância (achava que tinha sido Drácula) e assisti novamente, lembrando de tudo, fazendo uma bela viagem ao passado. Era bem apavorante, principalmente na parte final, quando aparece Banshee, a Mensageira daMorte e nos céus o carro funebre que a vinha resgatou os mortos. Embora os efeitos especiais sejam toscos, se comparados com os de hoje, na época eram bem assustadores. Por muito tempo fiquei com medo de que o tal coche negro guiado por um fantasma viesse me buscar...

Bem sei que atualmente as crianças de 7 anos já são pouco ou nada inocentes, mas nos anos 50 tiveram estímulos tecnológicos mínimos, nem a televisão ainda assistiríamos.
A história se baseia no folclore irlandês, onde Darby O'Gill, um velho cheio de energia, contava histórias sobre os duendes governados pelo rei Brian. Na verdade, o contato era real e ele pretendia obter os 3 desejos que o rei poderia conceder.
Também foram lançados os quadrinhos do filme, mas apenas nos EUA, aqui teve uma versão brasileira só nos anos 70. E pelas imagens, dá para ver que SEAN CONNERY, a galã da trama, era lindo, perfeito e até cantava!

DARBY O'GILL E AS PEQUENAS PESSOAS/WALT DISNEY (1959)







domingo, 22 de setembro de 2019

Quando setembro vier


A Primavera chegando e trazendo com ela o desejo de renovação, de despertar do sono do Inverno e festejar o Sol, as Flores, enfim, a Vida! Também sentimos que "love is in the air"... 💜💜💜

Talvez por isso tenha voltado a dar atenção pra esse blog que tava atirado às traças... 😂 Claro que não parei de ver séries e filmes, porém comentei mais no facebook. Mas prefiro postar aqui, sei lá, me sinto mais à vontade!

E já que o título da postagem é Quando Setembro Vier, lembrei de um filme também chamado assim (Come September, 1961), que vi quando era praticamente uma criança (antigamente os adolescentes eram muito infantis, acreditem... ). Apesar da imaturidade, me encantei com todo o romance e aventura vividos pelas pessoas na tela, a vida adulta nela parecia tão emocionante!
Aí a gente cresce e vê como foi iludida pelas produções hollywoodianas...

Curtam a coreografia sensual criada por Rock Hudson e Gina Lollobrigida! A mulherada era apaixonada pelo Rock (que era homossexual no armário pra não perder as fãs) e os machos enlouqueciam com a Gina, bombshell, expressão criada nos anos 30 pra definir a sensualidade exacerbada das famosas. Hoje sabemos que toda mulher a possui, apenas na maioria delas foi reprimida.


domingo, 8 de setembro de 2019

The Dead Don't Die

Querem assistir a um filme diferentão sobre mortos-vivos e, digamos, até cabeça, com tiradas filosóficas, mordazes, reflexivas, muito sarcasmo e diálogos inesquecíveis?
Além disso, foi escrito e dirigido por Jim Jarmusch, tem um elenco repleto de feras como Bill Murray, Adam Drive, Chloë Sevigny, Tilda Swinton, Steve Buscemi, Danny Glover, Caleb Landry, mais os icônicos Iggy Pop e Tom Waits. A música THE DEAD DON'T DIE (título da produção) foi composta e executada por Sturgill Simpsom, que faz uma ponta entre os zumbis.
Vejam o trailer e não resistam ao chamado!


sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Arquivo X is not dead



Novo episódio de Arquivo X, só para fãs desesperados e carentes, porque com essa revelação bombástica jogada na cena final, me caiu os butiá do bolso.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Blade Runner, O Caçador de Andróides/Blade Runner 2049






Não há como dizer que este ou aquele filme é melhor ou pior porque ambos são interpretações diferentes da obra de Philip K. Dick, sendo que Do Androids Dream of Electric Sheep, livro no qual o primeiro foi baseado, sofreu várias alterações na adaptação para a tela.

Blade Runner, o Caçador de Andróides (denominado Bounty Runner no livro) deixa muitas perguntas após seu final e Blade Runner 2049 tenta respondê-las. Era Deckard também um replicante? Que vida esperavam ter, ele e Rachael, após sua fuga? Essa fuga foi permitida pela corporação Tyller de forma proposital? Qual seria o destino dos andróides a seguir: destruídos ou modificados? O Homem continuaria insistindo em agir como um Criador?

A produção de 1982 é basicamente uma história sobre seres humanos exercendo tarefas divinas ao criar replicantes, cópias robotizadas sem alma e quase perfeitos em suas capacidades - segundo seus fabricantes - com um período de validade determinado. Alguns deles rebelam-se e estão dispostos a lutar por uma "vida" mais longa do que aquela para a qual foram programados. Aí entra a função do Caçador de Andróides, capturar os fugitivos. Rick Deckard, o policial herói que os persegue, acaba apaixonando-se por uma andróide especial, Rachael, e após várias peripécias, fogem para um futuro incerto mas com uma suposta liberdade.

O grande diferencial de Blade Runner 2049 fica na descoberta de que uma replicante pode engravidar, ou seja, perpetuar sua espécie. A partir disso, começa uma busca pela criança gerada, sendo que alguns querem vê-la destruída e outros, querem capturá-la para pesquisa e criação de uma nova estirpe de andróides. Com participação de Harrison Ford como o Deckard envelhecido e uma rápida aparição do policial ligado em origamis, a trama segue com muitos efeitos especiais, alta tecnologia utilizada para criar um mundo futurístico bastante realista, o que já acontecia no primeiro filme: a destruição do meio ambiente, radioatividade, alterações climáticas, superpopulação e muitas das modernidades que em 1982 foram sugeridas, agora em 2017 algumas já existem e outras certamente podem chegar em breve. Os andróides são uma possibilidade bem real em nosso futuro, não tão distante.

Se pudesse citar apenas um grande diferencial entre os dois filmes seria o ritmo, mais lento no primeiro e vertiginoso, no segundo. Outro detalhe importantíssimo é a trilha sonora do primeiro, imortalizada por Vangelis e um dos grandes fatores de sucesso do filme. Indiscutível é que Blade Runner foi um marco na ficção científica no cinema, depois dele, ela repaginou-se.

Só para fãs "caçadores de referências":
1) O unicórnio de papel em BR 1, e o cavalo de madeira no 2;
2) No livro, Deckard queria muito um autêntico animal, não tinha condições de adquirir porque eram excessivamente caros, e em BR 2, ele tem um cachorro como companhia, mas não especifica se é falso ou não;
3) A mulher que vive com Joe é muito parecida com Rachael e a garota que ela utiliza para tomar uma forma física, é muito parecida com Pris, uma das replicantes de BR 1;
4) A morte de Joe é idêntica a de Roy, um dos replicantes de BR 1, interpretado por Rutger Hauer, que depois desse filme ganhou fama e fez vários outros de sucesso, como O Feitiço de Áquila e A Morte Pede Carona;
5) O piano, onde começou o romance de Deckard e Rachael, surge várias vezes no cenário de BR 2;
6) Tyller, o dono da corporação em BR 1 usava óculos enormes com alto grau ("fundo de garrafa") e o chefão em BR 2 é cego;
7) em ambos os filmes aplicavam a Escala Voigt-Kampff para identificar replicantes, fazendo perguntas e observando as modificações no olho do elemento testado, temos acesso às duas, a atual, obviamente modernizada e a antiga, guardada em arquivos.
Sei que vou lembrar de outras referências, há muitas neste segundo filme.

DUAS DICAS: Pra quem mora em Porto Alegre, a Sala Norberto Lubisco da CCMQ está reprisando Blade Runner, O Caçador de Andróides em sessão às 19:00.

Está rolando a série Philip K. Dick's Electric Dreams (by Amazon), com versões de histórias deste fantástico autor de ficção científica. Cada episódio relaciona-se com um de seus contos, são incríveis como tudo que ele escreve, super recomendo!




sexta-feira, 22 de maio de 2015

Fantaspoa 2015 - 11ª edição



FANTASPOA 2015, 11ª EDIÇÃO: Agora à noite, fui assistir com a filha a dois clássicos do horror, baseados em histórias de H. P. Lovecraft: Re-Animator: A Hora dos Mortos Vivos (1985) e Do Além (1986).
Pra mim, foi revisão; pra ela, novidade.
Jeffrey Combs e Barbara Crampton, assíduos intérpretes do gênero, atuam em ambos os filmes. Dennis Paoli, que roteirizou as duas produções, estava presente e conversou com o público; divertido, muito animado, inteligente. Ele vai ministrar um workshop de desenvolvimento de roteiros de horror nesse final de semana, totalmente em inglês, então só inscrevam-se caso dominem bem essa língua.

Os ingressos possuem preço único (8 reais).

Maiores informações sobre palestras, cursos e exibições de filmes em:
Fantaspoa 2015

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Scully e Mulder rides again


Minhas preces foram ouvidas, ressucitaram Arquivo X!

"O Canal Fox divulgou a data de estreia do retorno de ‘Arquivo X‘ nas telinhas norte-americanas. Dana Scully (Gillian Anderson) e Fox Mulder (David Duchovny) voltarão a desvendar o sobrenatural a partir do dia 24 de janeiro.
Os seis episódios da minissérie de ‘Arquivo X’ começam a ser filmados na metade do ano, em Vancouver (Canadá). A volta da série terá uma mistura de mitologia e episódios independentes, com o “monstro da semana”.
Chris Carter, o criador da série, também teve seu retorno garantido. Além de escrever os roteiros, Carter servirá como produtor executivo.
Mitch Pileggi (Walter Skinner) e William B. Davis (Canceroso) também retornam. Pileggi reprisará o papel de diretor assistente do FBI severo, mas leal aos agentes Fox Mulder (Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson). Skinner apareceu em 81 dos mais de 200 episódios da série original.
Os agentes John Doggett (Robert Patrick) e Monica Reyes (Annabeth Gish), introduzidos na oitava temporada, também estão previstos para voltar."
(Informações do site Cine POP)

segunda-feira, 4 de maio de 2015

A "assassina" do machado - uma realidade que virou lenda

                        Lizzie Borden e os crimes que supostamente teria cometido 

Em 1892, Lizzie Borden foi acusada de matar sua madrasta e seu pai com inúmeros golpes de machado.
Julgada, foi considerada inocente.
Mas esse veredicto não impediu que a população continuasse pensando que ela fosse culpada.
Isolaram Lizzie, tratando-a com desprezo, apesar dela ter ficado até o fim de seus dias na cidadezinha de Fall River, em Massachusetts - local onde tudo ocorreu.
Ninguém mais foi acusado e até hoje os autores dos crimes não foram encontrados.
A realidade virou folclore e canções, livros e filmes foram produzidos sobre os fatos.

The Legend of Lizzie Borden , filme produzido pela ABC em 1975. Lizzie foi interpretada por Elizabeth Montgomery (a popular bruxinha Samantha de A Feiticeira).
Curiosidade: Rhonda McClure, uma genealogista que comprovou haver uma conexão entre Montgomery-Borden. como primas distantes, disse: "Penso como Elisabeth teria se sentido caso soubesse que estava interpretando sua própria prima".



Lizzie Borden Took an Ax, filme de televisão que estreou no Lifetime (canal a cabo que apresenta programação voltada para mulheres ou apresenta mulheres em papéis principais) em 25 de Janeiro de 2014, trazendo Christina Ricci no papel-título, o primeiro após um longo tempo sem nos brindar com sua presença nas telas.



Lizzie Borden Took an Ax Online


The Lizzie Borden Chronicles, minissérie que estreou em 05 de abril de 2015, também produzida pelo Lifetime, com a extensão de 8 episódios, dos quais já assisti a quatro e considerei excelentes.
Com Christina Ricci novamente fazendo o papel de Lizzie, apresenta um relato fictício dela após o julgamento, apoiado em fatos reais. A irmã mais velha, Emma Lenora Borden, é interpretada pela atriz Clea DuVall, tanto no filme de 2014 como nesta minissérie.

The Lizzie Borden Chronicles Online

Fatos e atualizações sobre Lizzie Borden e a tragédia que marcou sua vida


domingo, 22 de março de 2015

sábado, 1 de junho de 2013

Fantaspoa 2013

Fantaspoa é um festival de cinema fantástico que acontece anualmente em Porto Alegre/RS.
Para saber mais sobre ele, leia aqui: Fantaspoa 2012 - uma porta para o inesperado

A edição desse ano não apresentou muitos títulos atraentes para mim, acho que a seleção continha muitos trashs & podreiras. Não sou contra o gênero, mas como disse anteriormente, penso que ele foi excessivo na programação.

Comentarei dois filmes que me agradaram, o primeiro deles, fantástico e o segundo, uma crítica à banalização do assassinato.

The Human Race/2012/Horror/Ficção Científica/EUA - 90 min - Direção: Paul Hough

Imagine que você está na rua, cumprindo suas rotinas diárias ou apenas tomando um pouco de sol e de repente, sem qualquer aviso ou explicação lógica, está num lugar dsconhecido, participando de uma corrida onde tem que lutar por sua vida.
80 pessoas participam dela e em suas cabeças ouvem as regras: "se você pisar na grama, morrerá; se você desviar do caminho, morrerá. Corra ou morrerá."
Não há tempo para tentar descobrir o que aconteceu, é preciso correr e correr. Algumas dessas pessoas estão acompanhadas, outras, sem ninguém com quem dividir a dor. Há velhos, crianças, uma grávida, psicopatas e solidários.
O final é surpreendente, claro que não vou revelar. Valeu a pena esperar por ele, não me decepcionou.



Canibal Vegetariano/2012/Horror/Drama/Croácia - 85 min - Direção: Branko Schmidt

Danko é um ginecologista ambicioso e imoral.
Ética é uma palavra que não consta no seu vocabulário, ele quer tornar-se diretor da clínica onde trabalha e faz qualquer coisa para atingir seu objetivo.
Paradoxalmente, é vegetariano, enquanto seus colegas de crimes deliciam-se com pedaços de carne, ele alimenta-se com pratos saudáveis, cheios de folhas, legumes e cereais.
É extremamente cuidadoso com sua saúde física e mental, mas, moralmente é um zero à esquerda.
Isso ajuda a derrubar o mito de que "vegetarianos são pessoas boazinhas"...
Descubram tudo o que Danko faz para "subir na vida" e tenho certeza que muitos agem dessa forma (ou muito semelhante) na vida real!

Aqui dá para assisti-lo, completo,  com legendas em inglês:

 

Curioso foi assistir a uma versão rara de Godzilla: "Usando a colorização Spectrorama 70, Luigi Cozzi nos traz sua versão colorizada deste clássico. Além disso, utilizou uma trilha sonora original, cenas de outros filmes e de noticiários, criando uma nova versão deste filme. A única cópia conhecida do filme, a ser apresentada no Fantaspoa, é uma gravação de uma exibição na TV italiana, do acervo do próprio diretor."
É uma cópia da televisão mesmo, pudemos assistir até aos comerciais dos intervalos... rs
Particularmente, detesto filmes antigos colorizados, mas não pude deixar de conferir o resultado final desta versão.

 

sexta-feira, 15 de março de 2013

Django, o ex-escravo herói de Tarantino

Ontem assisti a Django, uma produção cinematográfica onde Tarantino reinventa, revitaliza e ressuscita o gênero faroeste (far, far west, baby!). Duas horas e 45 minutos de emoção, nenhum segundo de tédio. Não era comédia, mas ri muito; era um drama, mas não chorei, fiquei tensa. Enfim, um filme de mocinhos e bandidos, com os clássicos diálogos imensos e a costumeira violência e sangue esguichando por todos os lados - marcas da produção do realizador. Mas não é só isso, é claro. A relação de negros e brancos nos EUA da escravatura e do racismo (principalmente no Mississipi), dois anos antes de estourar a Guerra Civil, é mostrada de forma cruel, satírica e, muitos dizem, nada politicamente correta. A crítica alega que não haveria necessidade de mostrar tanto sangue e tripas e nem de falar a palavra criolo de 5 em 5 minutos, mas aí - desculpem - não seria um legítimo Tarantino!


O diretor investiu no "faroeste espaguete, subgênero mais violento, desenvolvido principalmente na Itália, em que o herói (ou anti-herói) é movido por motivos menos nobres, como vingança e fortuna."
O nome do personagem principal, encarnado em corpo e alma por Jamie Foxx, é uma alusão a "Django" (1966), filme de Sergio Corbucci estrelado por Franco Nero, que faz uma participação especial.
A música tema, que abre o filme, também lembra os bang-bangs italianos. Fonte: UOL Entretenimento/Cinema

                                 
A famosa sequência em que o Django de Franco Nero enfrenta membros da Ku Klux Klan usando a metralhadora que guarda em um caixão.

Samuel Lee Jackson, perfeito no papel do negro puxa-saco do sinhô, diz numa entrevista: "Conheço muito bem o Sul e gosto dele. Tenho um bom conhecimento da escravatura. Os americanos esqueceram-se que quando os cowboys exterminavam os índios, a escravatura era a coluna vertebral da economia do país, com as plantações de algodão e tabaco, os campos de cana de açúcar. Era trabalho forçado com uma maioria de negros mantidos prisioneiros por uma minoria de brancos. É o que mostra o nosso filme. Pergunta-se muitas vezes como os brancos puderam manter sob o seu jugo os seus escravos, que estavam em maioria numérica. Simplesmente pelo terror e pela intimidação!" Fonte: Revista Forum


Reunião estratégica entre o escravo puxa-saco e alcaguete e o mimado senhor: segundo o chefão, os negros não pensam mas ele é conduzido por um!


Essa declaração remete à cena antológica em que o sinhô Calvin Candie (Leonardo DiCaprio, já totalmente livre do fantasma do Titanic), nos dá uma aula de frenologia (teoria desenvolvida por volta de 1800, que admitia ser possível a determinação do caráter, características da personalidade, e grau de criminalidade pela forma da cabeça - lendo "caroços ou protuberâncias"; hoje - ainda bem - classificada como pseudociência). Com um crânio nas mãos, tal qual um Hamlet enlouquecido, ele tenta provar que os negros nasceram para ser dominados. Segundo ele, por isso não revoltavam-se, cumpriam o seu destino, escrito na constituiçã física. Fiquei com dúvidas a respeito da sanidade do sinhô, que era dirigido pelo Pai Tomás a tiracolo, admirava seres humanos matando-se em combates violentos corpo a corpo no chão da sua sala sofisticada e que parecia manter relações incestuosas com a irmã sinházinha. Doentes deviam ser todos por ali, imaginem o estrago que o excesso de consumo de açúcar fazia numa plantation de cana, o diabetes corria solto! Para informar-se: Sugar Blues - O gosto amargo do açúcar


                                         To be or not to be?

Outra dúvida me assaltou: O deputado e pastor de ovelhas humanas, Marco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos, seria também um adepto e admirador dessa pseudociência, para embasar sua antipatia pela raça negra? Oremos!

Cena que, certamente, vai se tornar cult, é a que aborda um ataque da Ku Klux Klan, onde o motivo principal de uma discussão entre os membros do grupo é a funcionalidade do saco com dois furos que usam na cabeça. Cria-se um diálogo doido e hilário, dá para entender porque o filme ganhou o Oscar de roteiro original, Tarantino escreve genialmente e seus diálogos são inimitáveis. Aliás, o cineasta tem sua participação tradicional, atuando em uma cena que tem um final bombástico.



Dá pra enxergar o caminho, no escuro e com um saco toscamente perfurado na cabeça?

E quando pensamos que Django é, basicamente, uma história de amor - Siegfried precisa libertar sua amada Brunhilde -  percebemos que é esse sentimento que comanda a vida dos seres humanos - o próprio ódio é uma distorção do amor. Amor e ódio caminham juntos pelas pradarias e rochedos dos EUA e Django é pleno de ambos. Não poderia encerrar o post sem falar sobre o dr. King Schultz (Christoph Waltz, vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante), um filósofo realista, e ao mesmo tempo, sonhador, que não resiste a matar os homens maus. Ele liberta Django inteiramente: o físico, a mente e alma do escravo. O Mestre encontra o Discípulo no momento oportuno - estava escrito nas estrelas essa colisão.


O doutor alemão e o escravo negro liberto - uma dupla inusitada.   
Cristoph Waltz e Jamie Foxx, afinadíssimos.

Django (Django Livre, no Brasil... arghhhh)  merecia ter levado mais Oscars; filmes menos marcantes já paparam quase todas as estatuetas de uma vez só. Ainda não assisti aos demais oscarizados deste ano, mas  Django já me conquistou plenamente.


E pra quem gostou do filme e também curte quadrinhos, um presentão - a graphic novel DJANGO UNCHAINED - cinco volumes pra baixar e esbaldar-se (por enquanto, somente em inglês): Django Unchained/Graphic Novel

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Cópia Fiel

Cópia Fiel (Certified Copy/Copie Conforme/2010, de Abbas Kiarostami, com Juliette Binoche e William Shimell) é um filme lento e suave. As cenas iniciais são vagarosas e podem até afastar o espectador menos paciente, mas vale a pena esperar pelo que vem adiante. Assim como existem a obra original e a cópia, o filme brinca com a realidade e a ficção. Há momentos em que ficamos com dúvidas sobre o que é fantasia e o que é real, mas depois entramos no jogo dos personagens e é delicioso brincar dessa forma.
Juliette Binoche, além de linda, atua com perfeição, lida naturalmente com a câmera e nos seduz com sua voz quente, entoada em três idiomas. Ela é o filme, não há filme sem a sua presença ora doce, ora eloquente ou zangada, ora amorosa, sensual, dramática. Vamos nos identificando com os diálogos que os dois criam, são palavras que já dissemos a alguém em algum momento. As situações do casal são cotidianas mas tão bem articuladas que tornam-se preciosas na sua simplicidade. Sem esquecer a beleza da região da Toscana, ensolarada, verde e florida.
No livro que William Shimell escreveu, ele diz que cópias têm tanto valor quanto o original. Dessa forma, a história desenrola-se, com os personagens assumindo seus papéis ordinários e inventando outros, que gostariam que fossem tão reais quanto os primeiros. Há diferença entre eles, quando ambos podem coexistir e ambos podem fazer o casal emocionar-se? Li algumas críticas que citam o filme de Rossellini, Viagem à Itália (1953), como tendo paralelos com Cópia Fiel, como não o assisti fiquei curiosa e já o coloquei na minha lista de prioridades cinematográficas.
Cópia Fiel é filme para ser visto muitas vezes, a cada novo olhar descobrimos detalhes não observados e absorvemos ainda mais as frases ditas pelo casal, procurando sinais do original e da imitação e percebendo que eles acabam fundindo-se em algumas ocasiões e nos deixando confusos, mas encantados. A cena final no hotel foi a mais romântica que vi no cinema, o texto de Juliette, comovente, nunca houve tanta sensualidade e amor num encontro onde duas pessoas mantiveram-se distantes fisicamente. Apenas o movimento da mão dela sobre a colcha da cama parece simular a necessidade desse contato, de uma forma tão tímida e, ao mesmo tempo, tão convidativa.
Apesar de ter um papel secundário no filme, o filho de Juliette (Adrian Moore) apresenta uma interpretação que revela-se importante na trama, o jovem esperto que quer ganhar do adulto de qualquer jeito, ficar com a palavra final, que observa tudo embora absorto em suas atividades - a relação deles também nos faz sentir intimidade com algo ocorrido em nossas vidas, seja quando fomos adolescentes ou se tivemos filhos que atravessaram essa fase. O envolvimento entre mãe e filho é significativo para que o casal construa seu castelo de sonhos, já que o garoto faz parte da suposta visão que influenciou Willliam a escrever o livro, objeto de ligação de todos e de tudo na película.

Não entendeu nada quem rotulou o filme como uma comédia romântica.

 
           Juliette enfeita-se para agradar ao "marido".


       
           Ela e o flho não caminham juntos.



          Tudo agita-se quando eles começam a encenação.




           Doce e romântica sedução, a mais bela de todas.



         Viagem á Itália (1953) -  um paralelo?