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segunda-feira, 29 de julho de 2024

O SABOR DA VIDA/LA PASSION DE DODIN BOUFFANT

                           

                                               Vi muitos comentários negativos sobre esse filme nas redes, achando-o lento e maçante, com espectadores dormindo no cinema ou abandonando a sala.

Deve ter sido difícil mesmo para quem não sabe decifrar metáforas, ter apreciado a história de amor entre o Chef e sua Cozinheira, narrada sem pressa, apegando-se ao afeto que reúne todos os personagens, sem efeitos especiais nem bizarros. com uma fotografia belíssima num cenário interiorano - Cinema-Arte!

E o que dizer da relação do Chef e da Cozinheira sem cair em alguma banalidade sobre o amor? Que integração perfeita. que amor perfeito, tal como a flor... Talvez as críticas negativas tenham vindo de quem deixou de lado a contemplação para viver apenas momentos explosivos, o que impede de captar sentimentos mais sutis.

E quando ela faz aquela pergunta no final do filme, num flashback, sobre o que ele mais amava nela? É a coroação da história, a síntese, Ah, queria um amor assim, de quartos separados e almas conjugadas!

Curiosidade: Juliette Binoche e Benoit Magimel já foram casados, talvez seja o motivo de haver uma interação envolvente entre eles, uma cumplicidade vinda de quem se conhece a fundo.
 

sábado, 26 de outubro de 2019

Catarina, a Grande

Uma mulher poderosa, tendo que governar um país enorme e defender-se de rivais querendo sua posição, inclusive seu filho.
Síntese da história de Catarina, a Grande, Catarina II da Rússia, que na verdade era uma princesa alemã chamada Sofia Augusta que casou com Pedro III.
Ela organizou um Golpe que o tirou do trono, sendo que logo depois ele morreu assassinado.
Seu reinado revitalizou a Rússia, que cresceu e modernizou-se, ficando estabelecida como uma das maiores potências europeias.
Catarina também ficou conhecida pelos "escândalos" na sua vida privada, tendo vários amantes que colocava atuando em seu governo e quando perdia a paixão por eles, mandava-os para longe para viver em propriedades luxuosas e com muito dinheiro, sendo extremamente generosa com seus ex-amores.

Isso e muito mais pode ser visto na minissérie de apenas 4 episódios da HBO. Catarina é vivida por Helen Mirren, um dos motivos que me levou a assistir à produção.
Ela também é produtora executiva da minissérie, poderosa, não?


Peterloo

A sinopse desse filme mostra que tudo se repete na História e que não aprendemos com nossos erros, estamos fadados a repeti-los com ligeiras modificações.
Porque a repressão sempre vence se ela é em menor número?
Em uma multidão protestando contra os altos níveis de pobreza e pedindo reforma política, muitos foram mortos e centenas saíram feridos... isso te faz lembrar outras situações, passadas e presentes, e imaginar que irão acontecer outras futuramente?

"Um retrato épico dos eventos ligados ao infame Massacre de Peterloo, de 1819, em que protestos pacíficos pró-democracia em Manchester resultaram em um dos episódios mais sangrentos e abomináveis da história da Inglaterra.
No massacre, o governo britânico atacou uma multidão de mais de 60 mil que havia se juntado para pedir reforma política e protestar contra os altos níveis de pobreza.
Muitos dos manifestantes foram mortos e centenas saíram feridos. O massacre foi um momento definidor da democracia britânica e teve papel importante na fundação do jornal The Guardian.
Premiado no Festival de Veneza 2018."


domingo, 22 de setembro de 2019

Capri - Revolution

Fico feliz quando um filme, ou outra obra de arte, me surpreende positivamente e foi o que aconteceu ao assistir à CAPRI - REVOLUTION.

Poderia falar muito sobre essa produção, mas o trailer mostra o básico e posto aqui um diálogo que me conquistou definitivamente, entre tantas outras coisas, como a beleza exuberante da ilha de Capri.

“ – Concordo com suas críticas ao capital. O crescimento econômico e o capital não fazem o mundo mais produtivo. A arte é o único verdadeiro e tangível capital, e as pessoas devem se tornar ciente disso.

- Está me sacaneando?

- De forma alguma! Meu conceito não é uma utopia, é realidade. A agricultura é uma questão de arte. Parece absurdo, mas não é. Só se pode praticar agricultura se levar em conta as condições do solo, do clima. Em outras palavras, se entendermos o espírito das substâncias. As substâncias que mais me interessam são a criatividade e a intenção humanas. Esses são os verdadeiros valores econômicos, nada mais. Não o dinheiro.
O crescimento que mencionei não é um crescimento verdadeiro. É como um tumor destruindo tudo. Não é produtivo. É um processo letal fora de controle. Mas podemos controla-lo, tudo depende de nós. É inútil culpar os que estão no poder. Se algo dá errado, só se pode culpar a si mesmo. Nós somos a revolução."


domingo, 8 de setembro de 2019

Badla (Vingança)

Se viu Contratiempo (The Invisible Guest), filme espanhol, então já sabe do soberbo final e deve ter gostado da trama envolvente. Se não viu, em resumo é sobre um acidente de carro e 2 assassinatos envolvendo um casal, não dá pra contar muito que tira o suspense.
Já tinha visto e amado, hoje assisti à versão indiana, Badla (Vingança), a história é a mesma porém o realizador trocou o gênero dos personagens principais, o que deu um novo potencial à narrativa. Não sei qual preferi, se o original ou a refilmagem, talvez a indiana tenha me tocado mais por questões espirituais, e o ator que interpreta o advogado é sensacional. Recomendo ver ambos, apesar de que vendo um já ficamos a par do desfecho surpreendente, que é a alma do filme.


                                            Badla, à esquerda e Contratiempo, à direita

Katyn



Parece incrível que filmes sobre a Segunda Guerra ainda possam nos surpreender...
Em Katyn, não vemos campos de concentração nem cenas de batalhas, mas assassinato em massa de soldados e oficiais poloneses pelos soviéticos, que jogam a culpa nos alemães.
As cenas finais são angustiantes, fazem as lágrimas caírem descontroladas.
A verdade sobre o que aconteceu na floresta só foi divulgada há poucos anos, o que torna a história mais sórdida ainda.

Texto detalhado sobre o filme:
http://50anosdefilmes.com.br/2009/katyn/


sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Primeiro filme de 2018: Corpo e Alma












PRIMEIRO FILME DO ANO: Corpo e Alma (TESTRÖL ÉS LÉLEKRÖL), já premiado em Berlim com o Urso de Ouro de melhor filme/2017 e representante da Hungria na corrida ao Oscar 2018, começa com cenas horrorosas dentro de um matadouro em Budapeste, é onde os personagens trabalham, mas depois vai saindo dessa barbárie e transforma-se em uma história muito doida, talvez sobre o amor verdadeiro ou quase isso. Ou melhor ainda, sobre o processo de conexão entre dois seres humanos que vivem isolados.
As vacas têm o olhar mais humano entre todos os animais, olhos tristes e meigos, dói ver como são tratadas. Onde as pessoas que as matam guardaram sua sensibilidade?
Os dois personagens principais são singulares, e ao mesmo tempo, comuns nas suas buscas e dúvidas. Em seus sonhos são animais que convivem em uma solidão gelada, e na realidade, são humanos descobrindo-se porque, desesperadamente, não desejam ficar sozinhos.
Vale as quase duas horas de exibição.

















Realização da cineasta Ildikó Enyedi

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Uma outra visão do holocausto



Centenas de filmes já foram feitos abordando o nazismo e as atrocidades que os judeus sofreram nas mãos dos algozes alemães.
Tantos que talvez tenham banalizado o tema.

Por isso, me surpreendeu Memórias Secretas (Remember), onde dois judeus idosos, quase no final na vida, realizam uma perseguição ao comandante nazista que eliminou suas famílias em Auschwitz.
Um deles, imobilizado em um asilo, organizando e comandando o roteiro de busca do outro. que foge e segue as coordenadas. O final é surpreendente, o que considero qualidade básica em uma história.

Christopher Plummer arrasando como o caçador e Martin Landau convincente como o arquiteto da caçada, vale a pena assisti-los em ótima forma e comprovar que a velhice não desqualifica as pessoas.

"Estamos perdendo a memória da História. Temos estado tão sobrecarregados de narrativas de violência que tendemos a esquecer como é a mecânica dela . É muito fácil abstrair parte de nossa sociedade, uma raça, um povo, e vitimizá-los. Daí que criamos essas atrocidades, tanto no caso do genocídio judeu quanto no do armênio. Acho que, quando encontramos um modo diferente de abordá-las, estamos fazendo um alerta sobre esse tipo de tragédia." (Atom Egoyam/cineasta realizador do filme)

Atom Egoyam mostra trama de vingança em "Memórias secretas"

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Verdade, onde te escondes, queremos te encontrar!


Acabei de assistir ao filme TRUTH (Conspiração e Poder - detesto a maior parte destas versões de títulos para o português...), sensacional, precisa ser visto por jornalistas e qualquer pessoa que queira saber sobre jogos de poder entre a mídia (empresas) e os governos, que queira saber sobre o que rola nos bastidores, enfim, que deseje saber sobre as verdades que nos ocultam, as mentiras que nos entregam maquiadas como reais.

É daqueles filmes que quando acabam te deixam com a mente pulsando por mais e mais informação, e com o coração emocionado e com mais vontade de lutar por um ideal, seja ele utópico ou não.

É baseado em uma história real, o que o deixa mais formidável ainda.

E sem esquecer de citar a sempre fabulosa presença de Cate Blanchett como a jornalista produtora da CBS, Mary Papes e do enrugadíssimo mas ainda viril e talentoso Robert Redford, como o âncora Dan Rather, ambos envolvidos em seu trabalho para transmitir fatos, embora sempre haja alguém desejando que estes fatos sejam tidos como improváveis e falsos.

Especialmente recomendado a estudantes de Comunicação Social/Jornalismo e a quem pensa em entrar nessa bela e difícil carreira, hoje com sua reputação tão manchada, mas ainda podendo retornar ao caminho da ética - nem tudo está perdido, acredito nisso para continuar saindo da cama a cada manhã.

sábado, 16 de janeiro de 2016

Carol - The price of salt



















Carol (The Price of Salt) é um livro escrito por Patricia Highsmith, publicado em 1952 sob pseudônimo e que aborda um tema sensível e ainda bastante marginalizado nessa época: a relação amorosa entre duas mulheres, mais precisamente um relacionamento homossexual.

Li uma edição do Círculo do Livro nos anos 80 (que saudades desse clube de livros!) e agora assisti ao filme baseado nele, que já seria fantástico para mim só pela preseça da musa Cate Blanchett (até eu me apaixonaria por ela nessa história...). Vale a pena ler o livro, ver o filme, escutar a trilha sonora maravilhosa, viajar com elas através dos percalços e das alegrias da jornada em busca da realização do que seus corações realmente desejavam.

Segue uma trecho do pósfacio dessa edição, já vou avisando que tem SPOILER! Nesse texto ela também conta que a história de Carol foi baseada num fato que aconteceu com ela, quando trabalhava numa loja na seção de brinquedos, durante o rush natalino, atendendo "uma mulher aloirada, de casaco de pele." Ela foi para casa depois desse encontro e escreveu 8 páginas em duas horas: "Era a história inteira (...) Fluiu da minha caneta como se do nada - começo, meio e fim."

"Minha jovem protagonista, Therese, pode parecer uma violeta tímida no livro, mas naquele tempo os bares gays eram uma porta escura em algum lugar de Manhattan, era uma época em que as pessoas que queriam ir a um determinado bar desciam do metrô uma estação antes ou uma depois da parada certa para que ninguém suspeitasse de que eram homossexuais. O atrativo de O preço do sal era que tinha um final feliz para suas duas personagens principais, ou pelo menos iriam tentar ter um futuro juntas. Antes desse livro, os homossexuais, homens ou mulheres, nos romances norte-americanos tinham que pagar por seu desvio cortando os pulsos, afogando-se em piscinas ou virando heterossexuais (assim era dito), ou então sucumbindo - sós, infelizes e alijados - numa depressão pior do que o inferno Muitas das cartas que chegaram a mim traziam mensagens do tipo "Seu livro é o primeiro desse tipo com um final feliz! Nem todos nós cometemos suicídio e muitos de nós estamos muito bem"."

Um simples encontro que originou um livro sensacional, que ajudou a mudar a vida de muitas pessoas, conforme contam as cartas que Patrícia Highsmith, recebeu por muitos anos. E agora, virou esse filme belíssimo.
Dose dupla de qualidade.