terça-feira, 17 de outubro de 2017

Blade Runner, O Caçador de Andróides/Blade Runner 2049






Não há como dizer que este ou aquele filme é melhor ou pior porque ambos são interpretações diferentes da obra de Philip K. Dick, sendo que Do Androids Dream of Electric Sheep, livro no qual o primeiro foi baseado, sofreu várias alterações na adaptação para a tela.

Blade Runner, o Caçador de Andróides (denominado Bounty Runner no livro) deixa muitas perguntas após seu final e Blade Runner 2049 tenta respondê-las. Era Deckard também um replicante? Que vida esperavam ter, ele e Rachael, após sua fuga? Essa fuga foi permitida pela corporação Tyller de forma proposital? Qual seria o destino dos andróides a seguir: destruídos ou modificados? O Homem continuaria insistindo em agir como um Criador?

A produção de 1982 é basicamente uma história sobre seres humanos exercendo tarefas divinas ao criar replicantes, cópias robotizadas sem alma e quase perfeitos em suas capacidades - segundo seus fabricantes - com um período de validade determinado. Alguns deles rebelam-se e estão dispostos a lutar por uma "vida" mais longa do que aquela para a qual foram programados. Aí entra a função do Caçador de Andróides, capturar os fugitivos. Rick Deckard, o policial herói que os persegue, acaba apaixonando-se por uma andróide especial, Rachael, e após várias peripécias, fogem para um futuro incerto mas com uma suposta liberdade.

O grande diferencial de Blade Runner 2049 fica na descoberta de que uma replicante pode engravidar, ou seja, perpetuar sua espécie. A partir disso, começa uma busca pela criança gerada, sendo que alguns querem vê-la destruída e outros, querem capturá-la para pesquisa e criação de uma nova estirpe de andróides. Com participação de Harrison Ford como o Deckard envelhecido e uma rápida aparição do policial ligado em origamis, a trama segue com muitos efeitos especiais, alta tecnologia utilizada para criar um mundo futurístico bastante realista, o que já acontecia no primeiro filme: a destruição do meio ambiente, radioatividade, alterações climáticas, superpopulação e muitas das modernidades que em 1982 foram sugeridas, agora em 2017 algumas já existem e outras certamente podem chegar em breve. Os andróides são uma possibilidade bem real em nosso futuro, não tão distante.

Se pudesse citar apenas um grande diferencial entre os dois filmes seria o ritmo, mais lento no primeiro e vertiginoso, no segundo. Outro detalhe importantíssimo é a trilha sonora do primeiro, imortalizada por Vangelis e um dos grandes fatores de sucesso do filme. Indiscutível é que Blade Runner foi um marco na ficção científica no cinema, depois dele, ela repaginou-se.

Só para fãs "caçadores de referências":
1) O unicórnio de papel em BR 1, e o cavalo de madeira no 2;
2) No livro, Deckard queria muito um autêntico animal, não tinha condições de adquirir porque eram excessivamente caros, e em BR 2, ele tem um cachorro como companhia, mas não especifica se é falso ou não;
3) A mulher que vive com Joe é muito parecida com Rachael e a garota que ela utiliza para tomar uma forma física, é muito parecida com Pris, uma das replicantes de BR 1;
4) A morte de Joe é idêntica a de Roy, um dos replicantes de BR 1, interpretado por Rutger Hauer, que depois desse filme ganhou fama e fez vários outros de sucesso, como O Feitiço de Áquila e A Morte Pede Carona;
5) O piano, onde começou o romance de Deckard e Rachael, surge várias vezes no cenário de BR 2;
6) Tyller, o dono da corporação em BR 1 usava óculos enormes com alto grau ("fundo de garrafa") e o chefão em BR 2 é cego;
7) em ambos os filmes aplicavam a Escala Voigt-Kampff para identificar replicantes, fazendo perguntas e observando as modificações no olho do elemento testado, temos acesso às duas, a atual, obviamente modernizada e a antiga, guardada em arquivos.
Sei que vou lembrar de outras referências, há muitas neste segundo filme.

DUAS DICAS: Pra quem mora em Porto Alegre, a Sala Norberto Lubisco da CCMQ está reprisando Blade Runner, O Caçador de Andróides em sessão às 19:00.

Está rolando a série Philip K. Dick's Electric Dreams (by Amazon), com versões de histórias deste fantástico autor de ficção científica. Cada episódio relaciona-se com um de seus contos, são incríveis como tudo que ele escreve, super recomendo!




segunda-feira, 20 de março de 2017

4 divas do Cinema


Série nova no pedaço, promete pela temática e pelas estrelas! 

FEUD/Bette and Joan: "As estrelas de Hollywood Joan Crawford (Jessica Lange) e Bette Davis (Susan Sarandon) sempre foram conhecidas pelas farpas quando chegavam perto uma da outra. No entanto, elas deixam isso de lado quando aceitam atuar no drama “O Que Aconteceu com Baby Jane?”, até para movimentar a carreira em baixa das duas."

O filme foi um sucesso, um dos melhores da temática "horror", enfim, tornou-se um clássico e só reafirmou o talento das duas divas.
A trama é focada nos bastidores da produção e o que nos mostram ali pode ser verdade ou ainda ser um eco da boataria.
Crítico foi perceber o quanto elas foram manipuladas pelos machos do cinema hollywoodiano para que o desentendimento criado entre elas por essa manipulação fosse um plus no interesse do público e no aumento do volume das bilheterias.

Obviamente, necessário dizer que as duas divas que interpretam Joan e Bette são igualmente fantásticas!
Jessica Lange e Susan Sarandon só reafirmam que mulheres maduras e talentosas sempre terão espaço no mundo do entretenimento, porque não é o avanço dos anos no corpo e na mente que lhes tira a qualidade de interpretar com alma.
Judy Davis também está ótima como Hedda Hopper, a "fofoqueira nº 1" de Hollywood e suas tramas pessoais e profissionais, poderosa porque sabia de todos os segredos.

Um brinde com champagne francês às quatro divas maravilhosas!